15 Outubro 2009

QUAL É O SEU LIMITE?

Até onde você suporta a dor? Depois de uns partos posso dizer que suporto muito.
Já superei partida do passado que era inevitável. Ali senti o quanto aguento dor.
Partir a boca pra retirada de um tumor não foi nada fácil, porém, melhor a boca partida que eu partir.
A partida de um voô.
Aquela partida definitiva e seu time indo pra segunda.
Um recebimento que foi repartido em parcelas.
Aquela câmera que custa a partir do muito que você dispõe.
Vontade de ir a qualquer parte.
Vontade de fazer parte.
A horrível parte II de um filme.
Um aparte dramático de quem você devota.
Aparte seu que ninguém se importa.
De tudo que se parte, nada me dói mais que algumas partes de algumas músicas.

08 Outubro 2009

VOCÊS NÃO VALEM NADA

Eu não assisto a novela das nove, não gosto nem desgosto do Manoel Carlos e não sei como é a vilã da trama. Descobri que é interpretada por uma menina de oito anos e por essa razão o Ministério Público notificou o autor e, caso ele desconsidere, possivelmente irão retirar a pequena atriz do ar. Censura. É incrível uma criança não poder ser má, coisa mais chata.
Mas pode colocar conjuntinho cantando porcaria na grade, mulher vagabunda de bunda de fora ensinando anjinhos inocentes a rebolar, Olimpíadas no Rio, o péssimo humor burro do CQC, a BBB do Pânico dançando de mini vestido no Senado, tanta barbaridade que não vou perder mais tempo.
Infiéis fajutos da democracia mascarada.

02 Outubro 2009

FALSA LOIRA

Sempre evitei escrever artigos aqui no Vírgula, intencionalmente, para me poupar. Simples. Caso um dia eu resolva aceitar os convites além blogspot.com, aí enfrentarei a controvérsia e assim deixarei publicar, pronta a disputar questão, inevitaveis discordâncias, me lançarei respeitosamente a quaisquer argumentações e, se eu estiver em um bom dia, talvez analise comentários e críticas. Com sorte, jamais numa segunda-feira, até responderei. Ainda ontem eu preferia o que esse blog pode comprovar: mesmices, irreverência e entretenimento, um todo sem profundidade real em mim. Não que eu me considere uma coca-cola ou pense não ter merecimento da minha densidade quem aqui me lê. É preguiça mesmo.

Mas, como já reiterei acima, pensava assim ontem. Hoje, não só quero vomitar repúdio, como devo - é melhor avisar - usar xingamentos, talvez...

Não! Definitivamente mesmo com motivos. Não irei esbravejar sobre ser uma brasileira inconformada por cediar copa do mundo e olimpíadas sem preparação, sem competência. Viva a corrupção! Foda-se! Prostituíção infantil, analfabetismo, colonização, destruíção amazônica, imposto sem retribuíção, máscara cultural, máfias legalizadas... Leiam o Groeland.

Eu quero vomitar minha revolta ao incentivo a falta de talento. Centenas de exemplos poderiam ser relatados, mas extenso ficaria, esse artigo se revelaria um livro encalhado. O grupo teatral 4 nipes, me tirou de casa semana passada anunciando uma peça teatral sobre os anos 90, em tom de comédia. Quase toda a informação do roteiro citou os anos 2000 e pouco me fez rir. E o desnecessário porvir, mesmo durante, quando desmoralizava algumas pessoas públicas, era simplismente ridículo por não condizer além da falta de relevância. Mas estava lotado. E riram. Acreditem, aplaudiram.

Indo ao ponto pois que está a desandar, quero expurgar - prejulgando sem dó - o Senhor Carlos Reichenbach e todos os seus futuros empreendimentos. Diretor e roteirista do filme Falsa loira, um dos piores que assisti em minha existência. O ódio incontido que me tomou não é somente pelo o péssimo filme, mas pelo desrespeito a mim e a quem se propor a assistir. Finalizando, chego ao ponto que me reteve aqui, uma questão que me tira o sono até agora, 48 horas depois do tormento: como pode algo irremediavelmente abominável a cultura ter o apoio e patrocínio da Petrobrás e outros, enquanto talentos mil continuam recolhidos?

Sem poder evitar, sem esperar respostas, indago a ele:

Ela (personagem principal) é ou não é mal caráter?
O pai dela é icendiário ou não?
Ela sabia estar indo fazer um programa ou foi iludida?
O que cheirou com o travesti era cocaína?
Aquele final onde foi induzido o telespectador sentir pena da coitada foi gozação?
Falsa loira porque era burra ou por pintar o cabelo de loiro?
Onde foi a continuidade?
Quantos dias atravessamos?
Quem era o tal Doutor? Mandante? Bom? Corrupto?


Desculpem, tenho mais duzentas perguntas, porém, paro aqui. Que se dane a Petrobrás.
E o Rio de Janeiro continua lindo, claro. Se não fosse verdade, Caetano moraria na Bahia.


21 Setembro 2009

ESSE TAL DE ROCK'N' ROLL










"Queríamos agradecer aos Paralamas, a Plebe Rude e a Legião Urbana por abrirem o show do Little Quail", Gabriel Thomaz, guitarrista

Sábado, dia 19 último, chego eu para a passagem de som e coletiva (que não houve) ao show de Arnaldo Antunes. Poderia enumerar aqui centenas de lamentáveis erros de produção, mas a Natura, grande patrocinadora do evento, já deve estar muito envergonhada por não saber escolher uma produtora decente. Eu vi telão no meio da geral atrapalhando visão, brigas e desacertos entre a equipe, área vip de open bar que não existiu. No camarim, água e uns pufs eram o único conforto para a banda.
Perguntei ao Edgard Scandurra onde estava o Arnaldo e ele me respondeu que havia ido ao banheiro. Dei uma olhada e não vi nenhum, nem químico! Para minha surpresa, chega o moço vindo lá de fora, do meio de um mato escuro, provavelmente do albergue da juventude que ficava uns cem metros do local onde estávamos. Lamentável.

Já no Porão do Rock (ontem), tudo em paz, ou quase tudo. A única ocorrência veio da parte da Plebe Rude que destroçou a banda sulista Cachorro Grande, só porque os menininhos de Porto Alegre foram arrogantes com a equipe técnica no sábado. Philippe Seabra já devia estar acostumado com essas porcarias, essa cachorrada do rock de hoje... enfim.

Os paralamas do Sucesso tocaram pra valer aquele mesmo show de sempre, mas que ainda vale a pena assistir. E teve Legião Urbana! O Renato Russo havia dito que a Legião nunca mais tocaria em Brasília depois daquele quebra quebra (que foi culpa do próprio) lá no ginásio, quando eu ainda era uma adolescente e não entendia a arrogância dele. Pois não é que passaram por cima do morto e a Legião tocou? Mas eu não posso dizer nada a respeito porque me recusei estar para assistir.

Fiquei sabendo que depois dos Paralamas o som começou a falhar, Raimundos e o Seu Digão deram muitos chiliques no palco por conta disso. O atraso se estabeleceu. E os Móveis Coloniais de Acajú iniciaram seu espetáculo sem instrumentos, só na capela - porque não funcionava mais nada - às 4 da manhã, para um público de 200 pessoas. Isso eu também não vi mas queria ter visto. Será que a turminha do Cachorro Grande lavaram a alma enquanto a chuva lavava a esplanada? Dizem as más línguas que o rock brasileiro não tem produção, somente velhas idéias e ataques de saudosismo. Bom, eu só falo o que vejo e, lembrando daquela desgraça que foi o Festival de Inverno, agora mais essas deste fim de semana, tenho uma única esperança: que esses deslizes só aconteçam em Brasília, vergonha incorpada na faixa de Capital do rock.


18 Setembro 2009

PLAY !



SÁBADO (19/9)

Palco Principal (a partir das 16h)
Super Stereo Surf (DF)
Orgânica (SP)
El Mato a un Policia Motorizado (Argentina)
Cachorro Grande (RS)
Ludov (SP)
Elffus (DF)
Black Drawing Chalks (GO)
Eagles of Death Metal (EUA)
Mugo (GO)
Mindflow (SP)
Angra (SP)
Dynahead (DF)
Sepultura (MG)

Palco Pílulas (a partir das 18h30)
Scania (DF)
Di Boresti (DF)
Rocan (DF)
O Melda (MG)
Belle (RS)
Superquadra (DF)
Watson (DF)
The Pro (DF)

DOMINGO (20/9)

Palco Principal (a partir das 16h40)
Fallen Angel / Dungeon (DF)
Detrito Federal (DF)
Paralamas do Sucesso (RJ)
Plebe Rude (DF)
Escola de Escândalo (DF)
M. Roots (DF)
Little Quail & the Mad Birds (DF)
Raimundos (DF)
Rafael Cury & the Booze Bros. (DF)
Móveis Coloniais de Acaju (DF)

Palco Pílulas (a partir das 18h30)
Cabeloduro (DF)
Cassino Supernova (DF)
Na Lata (DF)
Soatá (DF)
Trampa (DF)
Kanela Seka (DF)
Bootlegs (DF)
Blazing Dog (DF)

19 Agosto 2009

O VALOR DE NÃO SORRIR

Hoje amanheceu um fim de tarde. Todos os dias inteiros são crepúsculos balsâmicos de paz incontida, guerreira, pulsante. Ganho o céu num abraço sempre que quero; meu universo é um beijo.
Aprendi demorado demais, mas ainda tenho tempo e, agora que sei, não sorrirei assim, à toa, sem derivas, sem sombra, para qualquer pintura ou rabisco. Descobri que minha força não estava no chumbo da L'Oreal - tanto faz a cor da minha falta de cachos. Minhas ondas desordenadas, se vermelhas ou ensolaradas, não me deixam mais preparada. A minha força vem do sorriso que não desperdiço.
Ainda me dou e faço isso com uma vontade pornográfica. Me recuso a não receber somente. Se não entendem, não rio mais, córrego. E se chacotam, desfruto. Nunca me considerei melhor que agora e, boa do jeito que estou, fico tranquila sendo má. É que para ir a um lugar, precisa-se sempre passar por outro. Então, fui, pisei, sujei minhas vestes, atravessei sem pular. Agora, salto, largos e altos saltos, bico fino para chutar, agulha que faz sangrar qualquer desinteressante porvir. Não importa o vendaval a balançar as ondas que se embaraçam na minha cabeça, o oceano está nos meus olhos. Tudo que vejo é decifrável e nada mais é absurdo. Gosto agora do abuso, o meu.
E ando lendo muita porcaria. Nada me diverte mais...

 
©2007 '' Por Elke di Barros