25 Junho 2008

BARMÁCIA – A CURA PELO PRAZER



Em Olivença, uma cidadezinha no fim do mundo e que é o ó do borogodó, escondida atrás de uma rua com muitas pousadas, no quintal de Ilhéus, Bahia, que tive o desprazer de conhecer bem e por lá ficar um tempinho, mas com as boas lembranças de uma professorinha que sempre proseava comigo na barraca de pinga que o marido tinha à beira de uma praia pequena e cheia de pedras, onde contava-me como, quantos e em que condições os índios locais foram usados e assassinados pela igreja apostólica... Epa! Isso é pra outro texto, quando falarei das fofocas que me contaram lá sobre o Mendes de Sá e as duas coisas que prestam no local...

Recomeçando... Em Olivença tem um boteco com o nome e slogan do título desse texto, que nunca vi aberto, pois eis que só abre no verão e – graças (!) – na estação, eu já estava bem longe dali. O que isso tem a ver com os dois carnês que eu trago na bolsa para pagar? Simples: escolhi o centro da cidade e a avenida mais movimentada, pois assim pago a geladeira na loja e o seguro no banco e, de quebra, vou a várias farmácias procurar meu batom predileto. Entrei em todas, umas dez drogarias, e nada do meu batom lindo... Já chegando desolada ao estacionamento, avistei outra bendita farmácia logo abaixo. Bendita pelo nome, o de alguma santa, pois que ele, o estabelecimento, é coisa do demônio...

Logo que entrei, já sem esperanças, fui perguntando por meu Payot e o balconista simpático me deu a mesma resposta que os outros de todas as demais: não tinha. Quando me virei, achei que precisaria de um remédio para alucinação porque, na minha frente, havia uma geladeira dessas de portas transparentes cheia de cervejas de tudo quanto é marca! Senti-me uma estúpida por talvez haver entrado em uma dessas pequenas conveniências, comuns por aqui, e ter surtado ignorantemente só por achar que o sorridente homem aparentando muita felicidade e que vestia jaleco era balconista e não atendente de balcão (que é diferente, não é?). Virei novamente para explicar meu engano quando vi por todos os lados várias prateleiras tomadas por medicamentos – Ali era sim, sem dúvida ou Lexotan, uma FARMÁCIA! Depois de minha rápida, mas intensa, crise de risos, ele riu também e perguntou por que tanto espanto. Recuperei o fôlego e ingeri o bom senso que guardei por anos, dado a mim por minha avó, e disse que nunca em meus (...) anos de vida, conhecedora que sou de quase todo o Brasil, vi uma drogaria que vendesse cerveja!

Mais simpático e sorridente ainda, apontou para o fundo da loja e me indicou que fosse até lá ver. Inacreditável! Na prateleira de Doril e Dipirona, havia também garrafas de vodca, whisk, vinhos e várias bebidas destiladas. Corri para ele e perguntei a respeito, sem abrir a boca, mas com cara de quem deixou de ser Vírgula e virou interrogação. Pois não é que ele, com cara exclamativa e de pau, disse que muita gente sofre de dor de cotovelo, coração partido e etc., e que a farmácia dele era a mais completa, tendo remédio pra tudo, até pra dor de dente! Eu ri, gostei daquele senhor e fui embora imaginando a moça com os olhos esbugalhados de tanto chorar, chegando ao balcão e mostrando-lhe uma carta do noivo que terminara tudo por causa de outra mulher, e ele então aviando uma taça de bourbon a cada dez minutos, por uma noite e um dia. E aí um professor vai lá, mostra o contracheque e ele indica uma dose de pinga a cada meia hora. A filha dele (inventei, talvez ele tenha uma) chega com o jornal para mostrar que passou no vestibular e ele vai acalmar a si com doses de whisk e, para ela, água, muita aguardente com limão e mel.

Olivença é muito fraca mesmo! Não conseguiu ser original nem mesmo no Barmárcia, que tem um dono que tentou ser criativo.

ME ABANA CHICO!


Curto!
Estou indo agora para o aeroporto levar metade de mim para longe de eu. Nunca me foi tão claro a música dele, pedaço meu que vai... Mas não dá pra ser insana além, então nada de me estender, sem melo, melô, sem drama, só a dramática que é só minha, agora mãe, velha, pois se moça, evitaria. Que saudade TOORTA dos seus poucos anos onde, eu, mesmo velha que não era, segurava. Agora, te embarco e vai, ensaia teu primeiro voô sem minhas asas. Te ligarei, de meia em meia hora, metade arrancada de mim.

Boas férias, filha.

Chico, para quem sabe, meu leque... Descansa... Frio até a volta dela.

Próxima postagem: Conheci enfim as pessoas que são cultura em Natal.

Ufa!!
Denise mãe... Uma Vírgula que, como disse ele, é nada. 25/06/08

18 Junho 2008

DIÁRIO DE BORDO


Peguei uma carona rumo à emoção, errei o caminho e fui parar no desespero. No início, viagem a duzentos por hora, cheia de derrapadas, direção desgovernada, coisa de adolescente, nada de freadas. Brusco mesmo só o pé no acelerador, queria adiantar minha vida, dar-me novo rumo, desbravar novas possibilidades, sentir-me plena. Minha última saída não havia sido grande divertimento e eu, desta vez, apostei que iria ver o mundo com olhos que não eram os meus. Dentro das águas cristalinas mergulhei, de cabeça, e fui tão fundo que comecei a perder o oxigênio. Debatia-me, tentava voltar pra superfície, chorava em mil lágrimas que não se viam, pois que se misturavam com as águas agora escuras. Parei, tentei em vão respirar, negociei em suplícios, pedindo que aquilo parasse, que se seguisse a viagem... Devia haver deslumbrantes visões a se admirar, mesmo eu já sabendo que não mais cavernas escuras e tristes era o que me restava se iria, que nem mesmo estrada acharia novamente.

Houve então um momento sereno, um aviso, uma imposição de sentidos, um anúncio silencioso para que eu batesse com firmeza um pé, depois o outro, seguidamente, e me fosse. Mas, quando eu avistava a margem, raios e película de água limpa – a mesma de antes – quando eu ia recomeçar a respirar, um redemoinho endoidecido, revolto, rápido e sagaz me puxou em segundos para o fundo, me virou e desvirou, engolindo-me do avesso e me cuspindo nua, seguidas vezes, em algazarra, brincando de me girar como um pião, proferindo sons ensurdecedores, me machucando ombros, costas, nuca, cabeça, estraçalhando minha alma em mil.

Desacordada fiquei para o mundo, sem respiração boca a boca, sem massagem mesmo que cardíaca, sem afago de mãe, de amigos, de irmãos, porque estava perdida, sozinha, sem localização. Acordei sendo resgatada por mãozinhas salvadoras e palavras firmes de mentes grandes. Agora, de volta, vou cerrar minhas vontades, enterrar minha dor, desfazer dos meus sonhos e continuar a vida, sem me deslocar de mim para nenhuma ida, a lugar algum, dentro de ninguém.

Ufa!!
Vírgula Antenada, 17/06/08.

05 Junho 2008

MICROCONTO


A MENINA QUE QUERIA TUDO

E tinha quase tudo. Ela só não era dela, porque se deu. Cedendo possibilidades, sendo de mais ninguém, o mundo dela era o dono do seu coração. Estando dentro do coração do mundo, entendeu que não precisava de mais nada. Nem dela, universo conspirado que se contorcia de desejo, rogando continuar não sendo.

Ufa!!
Vírgula Antenada, 05/06/08

31 Maio 2008

VOLTA


Já olhou para o mar e sentiu marasmo?
Ignorou os gritos dele?
Desprezou ondas em maré alta?

Já sentiu na nuca um beijo com sarcasmo?
Tentou o ar e se jogar nele?
Sentiu alguma vez, dentro, coração que salta?

Encontrou paleativo no asco?
Perdoar, até sentir a dor daquele?
Implorou para o errado: Volta!

Tu virarias vasco?
Seria o que quer ele?
engoliria revolta?

Sim, pois ama.

27 Maio 2008

VOMITANDO


“Oh mãe, vê se me manda um dinheiro, eu to no estrangeiro (...) entupiu, a privada entupiu...”

Dilma Rousseff, ontem, em programa pago, patrocinado e induzido, foi a perfeição explicativa em pessoa quanto à desgraça que assola este país de ninguém (por enquanto, disse Obama). Ela, tão absurda, que escovei meus dentes, afiando, vinte vezes.

Jô 'Humorista' Soares, mostrou que não tem mesmo vergonha, que acabou o seu senso. E nem quando elogiou Heloísa Helena safou-se em meu conceito, fazendo eu ajoelhar em frente à TV e esperar que a inteligência dele o tirasse do lado negro da força. Vendido, esbanjando sorrisos, fez cara de persona falida enquanto ouvia os grunhidos da Ministra.

Platéia do ‘ Onze e meia ’, aplaudiu. Ponto.

“Sambari” help-me. Não suporto mais a saudade de pequi, arroz de puta, TV a cabo, pai, irmãos, frio, Plebe Rude, plebe que não seja rude, Feira do Guará, caos, falta de ar, de mim.

“Nobari” compre. Até hoje não entendo o casamento bem sucedido de Luciano Hulk e Angélica. Ou eu me enganei com um ou com outro. De qualquer modo, nem ele vai comprar o livro de receitas dela. Fala sério! Gente, isto é, pessoas, leiam mais, mas não livros de menos.

Dormir só ou ficar acordada junto, eis a questão. Alguém pode me indicar uma clínica de sonoterapia? Pois que, sem ombro ao lado e com uma insônia inexplicável, fico me intoxicando com aquele nome feio, Rede Bobo. Ninguém merece, nem eu que não presto.

Eita, PT! Até tu, Paulinho? Não existe gente séria nessa sigla! Nem mesmo quem diz não fazer parte dela, mas vive grudado.

Hollywood, que não perde tempo, já deve ter financiado a campanha presidencial (de lá e cá) e, em troca, fará estúdios na Amazônia.

Raul Seixas, eu tô retada. Você fica aí parado! Com tanto terreiro, centro, até programa da Rede TV apresentado por entidades, e o senhor não se manifesta e salva a minha alma?

EPA! Onde foi parar a alma bonitinha que estava aqui? Ferrou, dei descarga nela! Oi, psiu, alma... Toma... Cadê? Olha um ossinho...

Aí, ainda sem alma, vem minha amiga Nálivia, do Arcano Zero (e da minha Brasília saudosa e maloca), no MSN...

Lívia diz:

E vc?


Lívia diz:

Com Chapeuzinho Vermelho


Lívia diz:

??


Den!se diz:
Eu tô aqui, vomitando um texto.


Den!se diz:

Respeita! É uma bandeira comunista!!


Lívia diz:

ho ho ho

Lívia diz:
Desculpa ...

Den!se diz:

Ok, Miss...

Lívia diz:
Será que Chapeuzinho Vermelho era comunista??

Den!se diz:

Não, foi subtraída pelo lobo mal.


Lívia diz:

kkkkkkkkkkkkkkkkkk


Lívia diz:

Que horrível!

Lívia diz:
Mas ele como(e), ouve, vê melhor!

Ufa!!
Vírgula Antenada,
27/05/08

26 Maio 2008

CONSELHOS DE GERTRUDES XIMENES


Kakau pergunta:

Cara Doutora,

Me diga o que faço..... Sofro de timidez sou muito calada, dificil pra fazer amigos... TAMBÉM sofro de todas as síndromes possíveis do pânico, 1 2 e 3 ...rs. O que posso fazer?
Tem um horário pra mim ai?

15/07/07

GE responde:

MEU DOCE...

Kakau... (acho que fiz mal em chama-la de doce), Chocolate branco...
Fiquei preocupada com seu caso, então resolvi e fiz uma intensa pesquisa sobre vc, tenho um dossiê completo. M E N I N A ...
Precisamos começar um tratamento sério ! Pelo seu perfil, seus scraps e alguns amigos seus que "conversei" você é uma MITOMANÍACA COMPULSIVA... tenho certeza que é viciada em chocolate, acertei? "Kakau", não me peça para contar como descobri, tenho meus métodos ciêntificos, seríssimos! Bem,

vamos tratar a mitomania? comece parando de mentir. Você é extrovertida e lingua solta.

Quanto ao tratamento, começaremos pelo "pânico 1" (meu preferido)... te aguardo.


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Doidinha perguta:

oi tia Ge estoupresisando da sua ajuda!
ten muito tenpo q estou pedindo uma muchila de rodinha pra minha mae mas ela min rola semana q vem nao chega nucanucanuncinha de nada... sei q si fala com ela mi ajuda muito
voce me ajuda tia Ge!!!!
Obrigada tou te esperando...!
01/08/07


GE responde:

DOIDINHA, Meu Docinho...

(Bem coloridinho pra não decepcionar essa criança com esse nome...)
Quem escolheu esse nick pra vc, criança? Fiquei muito preocupada com essa auto-afirmação estatalada. Vc deve ser uma menina muito boazinha, comportada, educada, organizada, calma, para ter esse apelido e sua mãe não pode ficar te "enrolando" assim... (tática de ganhar confiança)Olha, Doce, vou ajudar vc, mas antes de sair esculhambando sua mãe aqui, em sua defesa, vou averiguar esta "história". Vou apurar o que me contas... afinal, não deve ser à toa que tu é Doidinha. Agora, que tu é linda, ah, isso é. Seja qual das quatro menininhas for vc aí na foto, ou sei lá, vai que você é as quatro, mutação, fiquei confusa.
BEIJINHO, DOCE.


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Nálivia pergunta:

Drª Gê!

Sabe...
ele não ligou pq ele não quis...
mas eu queria tanto!
será que não existe nada bom?!
Sabe a sensação de que meu 'homem ideal' está procurando a
'mulher ideal' dele... e não sou eu...
rsrsrs
Na verdade...
hj não preciso de uma Drª, preciso de um oráculo!
Você pode fazer as vezes de um p mim?
Obrigada!

15/08/07

GE responde:

Querida Ana, Doce...

Vc está sofrendo de um mal terrível que arrasa com mais de 350 milhões de pessoas só hoje : DOR DE COTOVELO!
Nem tudo que queremos é o que acontece, mas não é porque não existe nada de bom, é porque não é para acontecer mesmo. Se vc não é a mulher ideal para seu homem ideal é pelo simoles fato que seu homem ideal deva ser uma "fruta", uma "biba", uma "louca". Só sendo pra não querer uma mulher tão linda, inteligente e meiga. Deixa o coitado cumprir a caminhada dele e sai dessa, Doce!
Conheço um Dentista aí em Brasília que pode te deixar com um sorriso daqueles sem colocar a mão na sua boca.
Você é uma mulher ideal para qualquer homem! Ele é um tadinho, como diz a Antenada (to precisando citar muito ela, tá ficando chato, só eu sou procurada na nossa comunidade).

Volta aqui quando quiser, Doce.
E nada de oráculo, arrume logo é outro namorado!



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Mel pergunta:

Pôxa...

Cheguei atrasada, linda Doutora.
Gostaria de saber o que tem dentro daquela taça da sua figura, além de vc, que é uma delícia de beber.
21/10/07

GE responde:

DOCE ENJOATIVO DE TÃO MELADO....

Naquela taça não tem nada pro seu bico.
Bicona.


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Roby pergunta:

Saudades...

Ola Dra.!
Também estou com SAUDADES viu?
Digo, minha "personalidade" Roby Marx está!
Só tem um detalhe Dra.
Lembra da "tripla sertaneja?"
Pois é!
É justamente por isso que não sofro de "dupla...", mas sim de "tripla personalidade!"

PORQUE EU TAMBÉM SOU O TROPPORJ!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

E eu sendo ele também, sou todos. Mas sendo todos não sou NENHUM!!!!!!
????????????????????
E sendo NENHUM.........
Péra ai...
Qual de NÓS eu sou agora???
Ah!
Certo...
03/11/07


GE responde:

ROBY, DOCINHO !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

SE MATE, A TODOS, OS TRÊS, DE UMA VEZ !!!!!

PLEASE !


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Claudia Camilo pergunta?

Minha Querida e apaixonante Gê.

Ai, essa foi dolorida, injeção mesmo que eu acabei de tomar foi da febre amarela, que por sinal anda tirando sono de muita gente aqui no Goiás... Mas não se preocupe pode falar grosso o quanto quiser, a grossura que quiser que minhas músicas sertanejas eu não deixo.
Lhe Confesso, segredinho entre nós: Só ouço sertanejo ás sextas, sábados e domingos, ás vezes feriados, quando o Funk deixa............

Nada mais no momento, um grande e doce beijo.....................

Goiânia; 16 de Janeiro de 2008

GE responde:

Paulista mais goiana que conheço...

Doce... A injeção doeu? "tadinha".
Quem manda gostar de roça, ouvir sertanejo e casar com macaco?

*********##*********

GRASIELA PERGUNTA:

GÊ ... .Help- me!!
hoje em dia já não sei o que fazer?!
É melhor esperar que os homens tomem a iniciativa e nos procurem ou é melhor tomar a iniciativa? Porque tá fogo.... Se correr a concorrência pega e se ficar a concorrência pega tambem... rsrs.... É muita mulher pra pouco homem (homem de verdade)!!!!!

15 jan

GE responde:

BEM VINDA, GRASI !!

(Onde vc veio parar, Garota?)

Tá fogo! Tá fogo! Tá fogo!
Mas eu acredito naquela história da vovó... Cause o interesse e aguarde, não tome iniciativa. Seja dura e se mostre aos poucos, devagar. Mostrar tudo, só no casamento!
Eu não sigo, mas acredito.

Concorrência? Onde? Tem mais não, Garota. Mulher no Brasil virou laranja de fim de feira, tudo sem casca e a preço de banana madura. Infelizmente, só existe desvalorização, e as poucas tâmaras vão ficar encalhadas, igual você se seguir o que a vovó diz.

Entendeu? Que bom.
Beijinho.

(Extraído do tópico “Conselhos diversos com humor”, na comunidade Textos de Denise Machado, Orkut. A Doutora Gertrudes Ximenes atende quando quer, é só postar sua dúvida lá.

Ufa!!
Vírgula Antenada, 26/05/08

22 Maio 2008

DREAM TEAM


"BOLA NA TRAVE NÃO ALTERA O PLACAR"


Time unido, forte, vencedor. Fazer parte de uma seleção assim é privilégio de poucos. Não se compra partida, não trapaceia, não empurra. Pisar na bola de quando em vez – normal – é feio, tá certo. Mas logo aparece um da equipe e te estende o braço, chega outro que coloca gelo na sua ferida e todos gritam “vamos, continua”. Não precisa contar que o joelho não tá legal, não questionam sua capacidade, te cobrem. O rival vem, cerca, te pega desprevenido, arranca pra cima da sua indefesa descuidada, vem veloz e marca. Gol. O seu time diz “vamos, ainda tem jogo!” e você renasce sobre ânimos de torcedores fiéis.

Não há dúvida que muitos gols serão feitos quando se é de um Dream team. Quem nasceu pra artilharia só pára se lhe quebrarem a perna mas, a zaga sendo excelente, como é a minha, jogador adversário vai pensar duas vezes antes de tentar, porque o tiro de meta agora é nosso. Ao ataque! Estou livre na grande área, o arranhão nem dói tanto, um beijinho resolve, ou dois... A questão é não abandonar o estádio, pois que a melhor vitória é a que se ganha na casa do adversário. O juiz é imparcial; vai vencer o merecedor. E que venham os testes anti-dopping! Aí ganharemos de W.O.

Jogar limpo. Hoje estou sentindo-me forte, olhei no espelho do vestiário e me vi tranquilamente meiga. Estou com ótima mira e tenho uma equipe daquelas. Verdadeiros amigos e novos também, em teste para o banco. Um Dream team precisa de bons reservas.

Ufa!! Ufa!! Ufa!!
Vírgula Antenada, 22/05/08

21 Maio 2008

RECADO PARA MISS DAISE


Quando amamos, escolhidos ou não, amamos. Mesmo se o sangue meu já não tem tanta pressa, mas corre nas veias dela - que é diferente de mim - dentro e fora, igual na história, que não é a mesma, mas impossível de se contar uma sem falar da outra.
São sete desencontros sangüíneos, do mesmo, em outros modos e moldes. A vantagem de dois dos sete é ser inteiro e não meio, mesmo tendo logo cedo partido pela metade, que é tão desigual, sem culpa das feições diferentes que a natureza determinou, e sim por irresponsável imposição irresponsável de quem devia unir.
No ínicio, muita briga bem comum e muito pão, além de chinelos partilhados. No meio, a forçada inevitável separação: de lar, de concorrência imposta, de ganha-pão. Hoje, saudade, vontade, falta de meios, duas vidas independentes, assombração, conformismo. No fim, será só lamentação. Certeza, só uma: Eu sou de fato, direito e carne a única família dela, legítima. Ela é minha única.
Feliz Aniversário, minha inteira única irmã.
MUITOS UFAS PRA VOCÊ !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Denise Machado para Daise Machado, 21/05/08
(Leiam o texto abaixo também, tá?)

19 Maio 2008

BARMÁCIA – A CURA PELO PRAZER


Em Olivença, uma cidadezinha no fim do mundo e que é o ó do borogodó, escondida atrás de uma rua com muitas pousadas, no quintal de Ilhéus, Bahia, que tive o desprazer de conhecer bem e por lá ficar um tempinho, mas com as boas lembranças de uma professorinha que sempre proseava comigo na barraca de pinga que o marido tinha à beira de uma praia pequena e cheia de pedras, onde contava-me como, quantos e em que condições os índios locais foram usados e assassinados pela igreja apostólica... Epa! Isso é pra outro texto, quando falarei das fofocas que me contaram lá sobre o Mendes de Sá e as duas coisas que prestam no local...

Recomeçando... Em Olivença tem um boteco com o nome e slogan do título desse texto, que nunca vi aberto, pois eis que só abre no verão e – graças (!) – na estação, eu já estava bem longe dali. O que isso tem a ver com os dois carnês que eu trago na bolsa para pagar? Simples: escolhi o centro da cidade e a avenida mais movimentada, pois assim pago a geladeira na loja e o seguro no banco e, de quebra, vou a várias farmácias procurar meu batom predileto. Entrei em todas, umas dez drogarias, e nada do meu batom lindo... Já chegando desolada ao estacionamento, avistei outra bendita farmácia logo abaixo. Bendita pelo nome, o de alguma santa, pois que ele, o estabelecimento, é coisa do demônio...

Logo que entrei, já sem esperanças, fui perguntando por meu Payot e o balconista simpático me deu a mesma resposta que os outros de todas as demais: não tinha. Quando me virei, achei que precisaria de um remédio para alucinação porque, na minha frente, havia uma geladeira dessas de portas transparentes cheia de cervejas de tudo quanto é marca! Senti-me uma estúpida por talvez haver entrado em uma dessas pequenas conveniências, comuns por aqui, e ter surtado ignorantemente só por achar que o sorridente homem aparentando muita felicidade e que vestia jaleco era balconista e não atendente de balcão (que é diferente, não é?). Virei novamente para explicar meu engano quando vi por todos os lados várias prateleiras tomadas por medicamentos – Ali era sim, sem dúvida ou Lexotan, uma FARMÁCIA! Depois de minha rápida, mas intensa, crise de risos, ele riu também e perguntou por que tanto espanto. Recuperei o fôlego e ingeri o bom senso que guardei por anos, dado a mim por minha avó, e disse que nunca em meus (...) anos de vida, conhecedora que sou de quase todo o Brasil, vi uma drogaria que vendesse cerveja!

Mais simpático e sorridente ainda, apontou para o fundo da loja e me indicou que fosse até lá ver. Inacreditável! Na prateleira de Doril e Dipirona, havia também garrafas de vodca, whisk, vinhos e várias bebidas destiladas. Corri para ele e perguntei a respeito, sem abrir a boca, mas com cara de quem deixou de ser Vírgula e virou interrogação. Pois não é que ele, com cara exclamativa e de pau, disse que muita gente sofre de dor de cotovelo, coração partido e etc., e que a farmácia dele era a mais completa, tendo remédio pra tudo, até pra dor de dente! Eu ri, gostei daquele senhor e fui embora imaginando a moça com os olhos esbugalhados de tanto chorar, chegando ao balcão e mostrando-lhe uma carta do noivo que terminara tudo por causa de outra mulher, e ele então aviando uma taça de bourbon a cada dez minutos, por uma noite e um dia. E aí um professor vai lá, mostra o contracheque e ele indica uma dose de pinga a cada meia hora. A filha dele (inventei, talvez ele tenha uma) chega com o jornal para mostrar que passou no vestibular e ele vai acalmar a si com doses de whisk e, para ela, água, muita aguardente com limão e mel.

Olivença é muito fraca mesmo! Não conseguiu ser original nem mesmo no Barmárcia, que tem um dono que tentou ser criativo.

03 Maio 2008

NÓ!


* Sóbrio * Então. Você (não eu!) devia sentar à beira da praia, tapar os ouvidos para o axé ou colocar um Ipod para ouvir Renata Arruda cantando Se tivesse um canudinho e, enfim, descobrir que não se chupa só o que é de uva não. Nada melhor que uma brisa no meio da tarde, um calorzinho no corpo, ser carvão prontificado e prostrado à espera da chama que te deixará em brasa (mora?). Não tem nada demais uma tulipa - depois de passar um guardanapo na borda - mas, se puder, siga os conselhos de Glorinha Kalil e use os descartáveis, pois, em se tratando de bactérias em vidros mal lavados, menos é mais. Papinho leve, assim, como esse nosso aqui, é um bálsamo para qualquer despretensão além da óbvia: esquecer os problemas por um tempinho e dar-se ao luxo das enfileiradas vontades na passarela da sua mente.

* Alegre * De vez em quando precisa dar uma relaxada, espairecer, sair da rotina. O seu mundo não gira se não tiver um ser humano para fazer pegar no tranco e, acredito eu, acredito mesmo, ninguém melhor que você próprio para esse servicinho... Humanizar-se é como angariar forças para fazer o mundo rodar. Seja você (não eu...) uma pessoa mais aberta, mais serena, não exija tanto de si mesmo. Olhe, se escutar direito, e sentirá vibrar filosofia pura nas músicas de Zeca Pagodinho, sendo que seus pés não se conterão. A profundidade existente no seu ser latejante (não no copo) pode ser resolvida num gole só; observe com mais simplicidade as pêras, aquelas uvas, jogue leite condensado nessa salada de frutas, a vida tem de ser doce. Nada de ser ou que seja mas, esqueça Shakespeare. Simplicidade, simplicidade...

* Bêbado* Eu sei (não você!) que já está tarde desde o primeiro parágrafo, que colocaram umas garrafas a mais embaixo da sua mesa, que tudo deveria resumir-se ao fato sólido da dificuldade de lembrar qual é o líquido que está bebendo, que a vida não presta e que o Léo Jaime também não. Toca a Fernanda! Não, não é pra sair procurando alguma Fernanda pra perturbar. Você quis dizer a Takai, então toca o Patu Fu e desce uma pinga. Como assim não tem pinga pra você? Maldade! Manda descer uma Pitú mesmo. Se você fosse o Pelé eles até te davam um café; se fosse o Garrincha, só caldo, de mar. Maldade! Vai pra casa! E se você (nunca eu!) for flamenguista, VAAAI...

Ufa!!
Vírgula Antenada, 03/04/08

29 Abril 2008

MANUAL DA MULHER BURRA


Fui muito fiel
Comprei anel
Botei no papel
O grande amor
Mentira

Seja loira, mesmo que na marra. Se já é, fique mais loira, passe água oxigenada nos pêlos, faça luzes nos cachos. De preferência, bonita, pois, quanto mais bonita, mais julgada, depreciada, caluniada e subjulgada.

Não demonstre inteligência, raciocínio, personalidade e vontade. Você perderá imediatamente seu amor ou seu algoz, tanto faz.

Não tenha dinheiro (pelo menos não mostre que tem). Isso é um erro, é gol contra. Poderão achar que você é desonesta, desonrada, mesmo que já tenha cansado de trabalhar dezesseis horas por dia. Se usar então o SEU dinheiro em algo pra VOCÊ, pior.

Aceite vexames, ensaios de despedida, faça dramas incontestáveis. Dessa forma, não contestarão sua burrice.

Nunca, nunquinha, seja fiel. A mulher burra é vulgar, descarada, desbocada e desaculturada. Rebole bastante o bom e velho axé e jamais ouça Chico Buarque.

Não se importe com família, pense somente em você. Você do primeiro ao sétimo lugar. Depois os outros que comam e durmam, se sobrar algo para alguém. Se não sobrar, não se culpe. Você tem que sentir-se a única.

E, o principal: ame! Ame muito! Entregue-se, deixe que te massacre. Vá a nocaute, até a morte, pois é o que se merece quando se é burra.

Ufa!! (ouvindo Chico Buarque)

Vírgula Antenada, 29/04/08

26 Abril 2008

MEU MENOR TEXTO DE TODOS OS TEMPOS


Quebrou, meu bem. Não dá mais pra cozinhar.
E por mais que eu seja crua, não sou insípida. Então não me venha com claras, às claras.
Gema pra mim, só paulistano fiel.
Faz um mexido que eu escondidinho trituro as cascas, porque é da trituração que me vitamino.
Ufa!!
Vírgula Antenada, 26/04/08

Arnaldo Antunes

Composição: Arnaldo Antunes

o oco de fora
o fóssil futuro
o leite da pedra
a reta flexível
o buraco cheio
o fim do meio
o peso do ar
para fazer funcionar
a engrenagem de uma peça só
o aqui do corpo
o tempo todo
a meta-metade
a outra versão da verdade
o aqui do aquilo
o contra-contrário
o ímpar par
para fazer funcionar
a engrenagem de uma peça só



22 Abril 2008

PROBLEMAS DOMÉSTICOS - PARTE II "OU" CONTRADIÇÃO



"Eu vim! Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim

Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos "ais"..."


É realmente delicioso acordar, olhar pela janela e deixar o mar me invadir. A primeira reação que tenho quando acordo é sentir saudades do meu chão e tenho certeza de que não é porque lá seja melhor ou por regionalismo impreguinado, já que sou cidadã do país inteiro e torço, lamento, fico feliz por tudo que acontece em todos os cantos deste Brasil. Sinto falta de Brasília, acredito, pelo que ainda não aconteceu aqui ou pelos equívocos já acontecidos. Mas, minha segunda reação é sentar-me na cama e olhar o mar, que me invade, faz eu sentir vontade de ser Sininho, sair voando e percorrer a orla. Isso tudo porque sou uma preguiçosa e ainda não percorri sequer 200 metros de calçadão a pé. A Ladeira do Sol me enlouquece! Passo por ela uma meia dúzia de vezes por dia e não me cansarei jamais de admirar-lhe a vista estonteante. Sei também que se eu usar uma 'camisa mais apertada e que me prenda os braços', para não fazer nenhum movimento brusco, posso ter a chance de conhecer pessoas fantásticas em Natal. Preciso recomeçar do início, não voltando a fita ou me teletransportando para 12 de março, minha chegada. Tenho que recomeçar de hoje. Estarei fazendo desse Blog um diário? Não acredito! Tragam a camisa, impessam-me, por favor!

Conhecerei algumas pessoas esta semana, assistirei a uma peça, irei ao museu. E ficarei calada, mansinha, não quero causar má impressão. Vou me condicionar. Não quero perder minha originalidade, Deus me livre! Só preciso virar as costas para o que não aceito e antenar-me com o que importa. Preciso de inspiração! Vou me bronzear na areia, ficar dourada, andar até o Forte (talvez! Isso não prometo...), voltar a nadar - esporte que sempre pratiquei. Já não ligo para as buzinas e até andei recebendo uns sorrisos...

Talvez o propósito que me trouxe não tenha sido o certo, não deu certo, não é certo, não dava pra acertar. Quem sabe haja o propósito certo? Disse-me uma vez o tal propósito que temos uma média de 4.000 destinos pré-determinados todos os dias e que escolhemos o que irá nos acontecer, conforme nossas ações. Entendi.

É certo que não vou desistir. Não do propósito, do qual já estou quase desistindo. Não vou desistir é de ter esperança do propósito olhar e ver que não deve desistir de mim. A propósito: quantos propósitos novos tem-se todos os dias?

É aqui, na Cidade do Sol, que vou descobrir e fazer, me fazer e acontecer.

Ufa!!
Vírgula Antenada, 22/04/08


21 Abril 2008

QUAL É O SEU FERIADO?


Hoje é feriado aqui no Rio Grande do Norte, possivelmente no Estado em que você mora também. Fui pega de surpresa! Eu, que sempre tive no dia 21 de abril um dia de folga, jamais comemorei a data de Tiradentes, de quem nunca me lembrei nessa data, não por desconsiderar a história ou por pouco caso com o herói mas, simplesmente porque hoje é o aniversário do meu chão, da minha terra, do meu céu que é mar, onde todo brasiliense ou morador apaixonado surfa ao som do reggae. Brasília, 48 anos.

Para quem não conhece a Capital do País, ou algum brasiliense como eu, é difícil de entender esse absurdo de não lembrar ser feriado no país inteiro sem que a razão seja o aniversário Dela. Brasília não é somente a Esplanada e eu sei que, neste momento, o Parque de Eduardo e Mônica está lotado e colorido, muitas crianças, balões, show, festa! As quadras residenciais em festa! As avenidas W3 Norte e W3 Sul mimando e concentrando pessoas para seus churrascos em clubes, casas de amigos e parentes, melhor, turmas de amigos, inúmeros parentes, muita festa! E há o Monumental, que guia meu eixo firme e largo, levando outras pessoas para os shows de comemoração.

Tem que ter muita festa mesmo! Brasília é uma Capital belíssima, com muita gente boa de todas as partes do Brasil (e do mundo), população nativa ainda jovem e sem sotaque, que abraça, respeita e abre espaço para qualquer modo de falar. São moradores da meia idade enxuta, os lá nascidos, denominados brasilienses, os candangos como meus pais – que vieram de todas as partes e ali moram desde o início - e os corruptos, que também vieram de tudo quanto é parte e não moram, mas aparecem, igual ratos, baratas, essas pragas.

Não tem mesmo esquina, mas posso te levar num barzinho delicioso, com uma comidinha perfeita, bem ali na esquina da SQS 109, onde Renato Russo ia comer e embriagar-se. Tem Taguatinga, que é uma cidade-satélite (um bairro nos moldes nacionais), que é independente, forte, arrojada e superpopulosa. É verdade também que o Distrito Federal está cercado por Goiás, porém, hoje vamos falar só da parte boa, eu já errei uma vez acima, citando os corruptos; hoje é festa! Aliás, amigos moradores do entorno da nossa Capital, sei que estão indo ou já foram para as comemorações! É festa!

E quem quer sossego? Assim ó: pega o meio de transporte de que dispor e em quarenta minutos estará em um dos vários hotéis-fazenda, comendo bem, dormindo em rede e praticando esporte radical, tomando banho de cachoeira ou meditando.

Poderia eu ficar escrevendo por horas sobre tudo que me vem acerca de Brasília e do dia de hoje, mas tem festa e eu quero participar, nem que seja via Internet. Só deixarei uma última exclamação e uma pergunta: o céu de Brasília é sim tudo que todos os artistas de todas as áreas já disseram, escreveram e cantaram! Alguém conhece outro lugar que tenha iluminação tão maravilhosa e natural, tanto em dia/noite de festa quanto em qualquer outro (vide foto)? É rave!

Ufa!!
Vírgula Antenada, 21/04/08

18 Abril 2008

I WANT TO BELIEVE


Adaptação.

Está dificíl conseguir fazer um gol. Nem na trave estou acertando. Quando estaciono, naquele local não pode. Mas se um carrão estaciona, por uns minutinhos, pode. Se simpaticamente resolvo dançar um forrozinho para ser legal e não reclamar do ambiente para onde fui carregada, danço mal, mesmo que eu dance bem. Danço mal e pronto! Onde já se viu, branca, do Sul, saber dançar forró? Ninguém aceita isso, sou discriminada.

E o buzinaço das avenidas estreitas e movimentadas? Outro dia o semáforo abriu e o carro da frente não saía; resolvi buzinar. Pra que! Fui xingada de grossa, apressada e outras pérolas. Minha empregada estava chorando na cozinha, daí perguntei o motivo. Ela me disse que eu fui muito grossa porque bati a porta do armário. Foi sem querer! E mais: revelou-me o terror que sentiu, achando que eu ia bater nela. Estarei ficando louca? Demiti-a. Espalhou para o porteiro que fui muito grossa, que não a entendi, não lhe dei carinho e que ela não nem precisava trabalhar, que o fazia por fazer, que o marido lhe dá muito amor e de tudo. Pôxa... Um vazamento na cozinha estava incomodando (quase derrubando) o teto da vizinha embaixo do meu apartamento. Ela me pediu que não lavasse meu chão, que parasse. Chamei o proprietário e ele foi até lá para arrumar o teto dela, mas foi impedido, pois ela receberia visitas naquele dia. Disse que eu não abrisse torneiras na minha cozinha até a segunda-feira, e ainda era sexta! Chamei-a e, firmemente, mas em tom educado que sempre uso, disse-lhe que não havia condições. Então, que ela deixasse ajeitar logo ou seu teto iria desabar. Calou-se. Depois disse ao porteiro que quase bati nela! A moça do transporte escolar demorou duas horas além do horário previsto para trazer minhas filhas da escola. Eu reclamei, indaguei o celular dela desligado, quis reincidir contrato. Nossa! O marido dela me ligou dizendo que cobrará multa porque sou muito grossa!

No mercado as filas não andam; em cada faixa de pedestre sou praticamente obrigada a deixar que lavem o vidro do carro, etc., etc., etc.

Claro que encontrei uns seres maravilhosos, que conto nos sete dedos da mão esquerda... A mocinha da lanchonete, o vigia noturno do meu prédio, o dono do apartamento onde moro, a moça que me ensinou a pegar a Avenida Deodoro, a coordenadora da escola das minhas filhas, a Rejane do salão... Epa! Só. Uma amiga havia me dito que uma coisa era ser turista, outra era morar. Mas o que fazer, se escolhi aqui para daqui não mais sair? Eu quero ficar!

Acho que sou uma extra-terrestre. Grossa!
A verdade está lá fora, bem longe.

Eu quero acreditar, mas está difícil; quase uma missão interestelar estar aqui. Continuar aqui então... Só saindo do lado negro da força e recorrendo aos Jedis.

Ufa!!
Rainha Metida e GROSSA, Vírgula Antenada, 18/04/08

16 Abril 2008

NOVELA DAS SETE



(“... Acendo um cigarro pelo filtro e depois, sorrio de nervoso procurando um algoz...”)

A inocência reina solta na fumaça do cigarrinho básico e cultural brasiliense, tragada que ela nem experimentou nas inúmeras risadas ouvidas e vislumbradas no bar ao lado da escola. Ainda era uma otária de cantina, da coxinha do colégio CEAB, com refrigerante alienador americanizado e imposto. Assim o era para o seu entendimento primário, em ensino médio, mas de ambições superiores. A histérica do Montenegro desajeitado, a ninfa de Buarque e a estudiosa de Veloso. Mas o que ela queria mesmo era o Jim, com todas as suas qualidades quantitativas de uma vida dimensionada longe daquela, em outras portas, para poucos. Porém, sem Morrison, nada a fazer além de aceitar um barulhinho massa de logo ali, na Praça do Relógio. Um grupo de punks que sempre estavam reunidos com instrumentos e microfones; ela não sabia direito a ideologia nem o que era ter uma mas, importava é que a agradavam demais da conta. Eram inusitados no nome escolhido para decifrá-los, já que um aborto elétrico devia ser o máximo, mesmo sem a certeza do que era um aborto e de como se daria sendo elétrico.

Nem encaixava a discrepância do que propunham aqueles caras mais velhos. Ai! Abortar pensamento, conduta, ensino familiar, tendência, direcionar... Ela não sabia de nada. Mas não entendia porque, quem olhava para ela, achava que ela sabia tudo. Ficava naquela de correr para a professora de História e questionar sobre Perestroika. A professora, assustada, devolvia o abuso e dizia que seria assunto, que ainda estava confuso e que melhor seria esperar. Ela não queria esperar. Ainda bem que tinha a Dalva, a amiga comunista da UJS, mais vivida, já casada em seus 17 anos com um quase guerrilheiro do PC do B.

Nessa de certeza e incerteza, espera infundada e falta de explicação, a mocinha ficava perdida em muitas informações condensadas e chegou a pensar que a falta era dela, que melhor era nem tentar. Ouvindo RPM, pensou em se matar. Apareceu do nada alguma centelha dentro de si dizendo melhor seria encarar. Mas como? A avó, com certeza, tinha muito mais talento que ela ou qualquer outro. Nunca conseguiria estampar o sorriso de aceitação para esconder o sofrimento. Corria para a amiga Dalva, que ria e dizia, guilhotina que era, ser ela mesma o caminho da própria maturidade, apesar de que eram muitos os caminhos. Inocência não existia... Pobre Cassandra, pensou dela mesma, inocente que não existia e que então não era nada.

Pensou em recorrer ao vício, mas não tinha talento, não tinha veia para nada. Tentou teatro, soltar seus bichos interiores. Achou mais sofrido, já que quando as cortinas se fechavam, as cadeiras ficavam vazias e ela, incompreendida, continuava só. Ter outra vida, mesmo que por instantes, seria um privilégio, mas não para ela. Não era sã o suficiente, não era lúcida, nunca seria Montenegro, a outra, que não cantava, mas que a encantava.

Entre não saber o quanto podia de si oferecer para o crescimento do contingente universitário da relíquia estudantil da Capital e tornar-se uma moça direita e prendada, com ensino básico nada fundamental, para o cargo de amantíssima esposa de algum importante aspirante a trabalhador, eis que ela escolheu a forma nem errada, nem certa. Escolheu a dela.

Correu, ouviu, ouviu muito. Descobriu que era boa ouvinte. Leu também. Foi absorvendo informações, preceitos, opiniões, articulou sozinha para si mesma, concluiu e formou envergonhada e intimamente um princípio dela. Não contou a ninguém. Continuou ouvindo. Escolheu seus amigos marginalizados, recebeu aceitação em grupos fechados, esqueceu do legado a cumprir-se, mandou a família às favas, sustentou a cara para cada tapa e revidou somente o necessário. Não queria desperdiçar sua força.

Sem saber, estava no caminho certo. A garota estava desencaminhada... Fato.

Ufa!!
Vírgula Antenada (texto do livro DESASTRADA, com lançamento previsto para este ano.)

14 Abril 2008

? E AGORA MAZÉ ? ( Texto escrito em 21/08/07)


(“... pra pedir silêncio eu berro, pra fazer barulho eu mesma faço! (...) Pegar fogo nunca foi atração de circo...”)
Acabou a paciência; acabaram-se as lágrimas. A porcaria da farmácia não quer entregar o pedido por telefone dizendo que o lenço de papel é muito barato, que não vale a corrida do moto-taxi. Mas como pedir duas caixas se não se sabe o quanto se vai chorar? E se as lágrimas acabaram, tem-se que ter uma de reserva. A mulher é uma potência em produzi-las! Vai que comecem a rolar de repente? Têm que Permitir opções à Mulher! Ok. Vão tomar refresco e deixem a camiseta velha cuidar do aguaceiro. Mas essa farmácia está marcada, e apesar de nela comprar a anos, está literalmente riscada da lista.

Café. Não, chá. Que! Nada de chá! Isso é paliativo que não serve pra nada. Vamos ao café. Extraforte e sem açúcar, já que a vida resolveu que por hoje tudo será azedo e amargo. Incrível mesmo é o frio que insiste, mas para o qual é só cobrir-se o corpo que o calor se torna insuportável... O departamento do canal lacrimal recomeça seus trabalhos. É incrível! Talvez uma saidinha... Mas é uma @#*&$% mesmo! Nenhuma roupa, nada, me serve. Tá tudo apertado. Mas tem coisa que relaxe mais que umas comprinhas? Ai! Chato demais essas ruas largas de Brasília. Não têm trânsito. Buzinar pra quem, pra quê? É preciso buzinar às vezes!!!!!!!!!!!!!!

Pra que loja desse tamanho? Hellloooo?!! Não existem só Giseles no mundo! Uma loja com 1000 departamentos, quatro mil novecentas e vinte e seis blusas e nenhuma me serve, nenhuma me cai bem? As cores da estação causam palidez. Podiam-se vender opções aqui? Hellloooo?????? Como assim parcelamento só em dez vezes? Quem parcela em dez deveria parcelar em onze, oras bolas! Embora o certo seja em quatro. E não precisa falar das promoções! Quatro. Pronto. Fala sério! “Shoppinzinho chinfrim”. Tem tudo que é culinária, mas NÃO tem exatamente aquela que seria perfeita para o dia de hoje: comida jamaicana, é óbvio. Café de máquina é horrível, extraforte, assim não dá! Prefiro um chá. É o mais adequado.

Calma... Que ninguém peça que a tenha mas, calma. Amanhã é segunda-feira. É chefe, banco, lavar carro – antes, estacionar – dar bom dia, receber bom dia, ler os mails, agüentar o prato do dia, e pior, não saber nem se vai chover ou fazer sol! Meteorologista é um cientista que não tem amor à vida. Deixa as pessoas furiosas. Hei, sai da frente!Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...

Uma amiga, um amor, um sarro, um Lexotan, uma Bohemia, um emprego que satisfaça, uma praia... Não, pelo amor dos cronistas, Arnaldo Jabor hoje, não! Cara chaaaatttoooo... Tá, ele é massa, mas hoje, especificamente hoje ele é meu chato eleito. Ele e Chico Buarque – que não entende nada de alma feminina – são uma fraude. Que foi? Quer discutir? Vou ser presa por dizer o que não estou suportando? Pragmático! Insensível! Quem vai encarar? Estou a fim do Zeca Pagodinho e pronto! Isso, um bom pagode, de raiz, aquele pra se usar tamancão, com suadouro... Parece que está fluindo umas vontades, uns calores, um pânico. Onde está a @&%$* da camiseta velha?

Crianças sufocantes essas. Pessoas que são sensíveis e meticulosas não deveriam morar perto de crianças, não deveriam ter crianças. Aliás, crianças são irritantes! As obrigações para com elas também. Se passar mais uma música desse tal de RBD vai rolar um genocídio! Não, não é insano para se pensar nas "pestinhas", mas quebro todos os cds desta porcaria, todos que euzinha encontrar.

E agora Mazé? Acabaram-se as chances, tudo está insuportável, o Zeca não deu conta do recado. E agora Mazé? Abre logo esse buraco. Enterra e joga a pá fora! Para piorar, aquela inescrupulosa sensação de que alguém vem te visitar, vai anunciar que vem pra ficar uns três dias, mas está claro que ficará uns cinco. Que vontade de chorar, de berrar, arrancar os cabelos... Ninguém entende, ninguém se importa, solidão total. Mas é melhor a solidão, mil vezes a solidão, que a presença de gente. Abriu o buraco Mazé?

Banho, um banho... Quente, com sabonete glicerinado que se sabe nada tem de glicerinado. Água caindo pelas costas. Bom... Mas que @$#%* é essa de chuveiro? Dá pra se esforçar e ficar na temperatura ideal? Explicando: A temperatura ideal é... Ah, vai tomar &%*@#! Só faltava essa! Conversar com chuveiro!

Ops! Parece que a produção de outro departamento está com tamanha demanda que precisamos expurgar fora o excesso de produtividade. Visita chegando... Impressionante, não falha!De vinte e oito em vinte e oito, batata! Quer dizer, já falhou mas, de costume, não mais. . Acertou-se coerentemente esta questão. Fez-se reforma e tudo trabalha em ordem. Que ordem! Tudo certo, nos eixos.

É desconcertante a calmaria que se instala. A ocasião permite uma paz e certa vergonha dos atos, restando apenas cruel dúvida: ajuda Chico, você que sabe tanto da alma da mulher. Com abas ou sem abas?

Ufa!!!
Vírgula Antenada, em 21/08/07


Ainda teve do texto ÓCIO, quando eu nem sonhava que moraria em Natal e que reclamaria de tanta buzina nas ruas estreitas...

"
E se eu não escrevesse? Em qual hospício eu estaria hoje? Não gosto nem de imaginar. Mas, o que me trás alegria mesmo é pensar que Natal fica ali na esquina...

Ufa!!!
Vírgula Antenada, 08/09/07"

Eu sou uma inconstante insatisfeita, blefe de acento.
Denise Machado

12 Abril 2008

TESTE O TAMANHO DO SEU SACO !



("Mas as pessoas na sala de jantar, são ocupadas em nascer e morrer...")
Você explicou à exaustão, diluiu a informação com água e acrescentou açúcar para que a pessoinha absorvesse sem dificuldade. Argumentou sobre todas as imbecis dúvidas, uma a uma, retornou aos tópicos iniciais da fatídica questão e se redesfez da posição da certeza absoluta, mesmo tendo absoluta certeza do que estava proferindo. Mas a pessoinha...

Alternativas:

A – Finge ordinariamente que não entendeu, utilizando-se de formas diferenciadas de sarcasmo;
B – Balança a cabeça e diz que tudo bem, mas insiste em fazer o inaceitável;
C – Reza uma ladainha desconexa para justificar-se, fazendo uso de citações “filosóficas”, trauma adquirido ou provas insustentáveis pelo óbvio.

Você não quer magoar, escolhe cada letra para compor sua reclamação, descortina na frente da pessoinha o erro cometido. Abrange a importância que deve ser dada ao respeito, ao uso indevido do que não a pertence, mesmo que seja somente a SUA paz. Salienta os fatores que podem causar mágoas, queixas, mostra que ela é importante e que, quem vale, na maioria das vezes, é quem é sincero e aponta os possíveis erros e não quem apenas sorri, admira sem conhecer e diz amém. Mas a pessoinha...

A – Insiste que você é um monstro, que não compreende o significado de ajudar e se doar ao próximo, joga-se na ilusão de ser uma incompreendida;
B – Admite que pulou o “corguinho” e ousou um pouquinho, quis mudar um pouquinho, mas que foi só um tiquinho;
C – Crê com fé que a máscara nunca cai, que ninguém jamais perceberá e que é mais feliz convivendo na superficialidade, fingindo ser o que não é em cima de quem tem.

Resultado:

Você? Sejam quais tenham sido suas alternativas escolhidas, recolha-se a sua 'significância' e faça o que sempre fez deixando a parte do 'in' do que significa longe de seus olhos. Existem pessoas – poucas, é verdade – mas que valem por um milhão de “inhas”.

Ufa!!
Vírgula Antenada, 12/04/08

06 Abril 2008

EU NÃO PRESTO





Vem cá, meu bem, que eu quero te ensinar a ga