Recomeçando... Em Olivença tem um boteco com o nome e slogan do título desse texto, que nunca vi aberto, pois eis que só abre no verão e – graças (!) – na estação, eu já estava bem longe dali. O que isso tem a ver com os dois carnês que eu trago na bolsa para pagar? Simples: escolhi o centro da cidade e a avenida mais movimentada, pois assim pago a geladeira na loja e o seguro no banco e, de quebra, vou a várias farmácias procurar meu batom predileto. Entrei em todas, umas dez drogarias, e nada do meu batom lindo... Já chegando desolada ao estacionamento, avistei outra bendita farmácia logo abaixo. Bendita pelo nome, o de alguma santa, pois que ele, o estabelecimento, é coisa do demônio...
Logo que entrei, já sem esperanças, fui perguntando por meu Payot e o balconista simpático me deu a mesma resposta que os outros de todas as demais: não tinha. Quando me virei, achei que precisaria de um remédio para alucinação porque, na minha frente, havia uma geladeira dessas de portas transparentes cheia de cervejas de tudo quanto é marca! Senti-me uma estúpida por talvez haver entrado em uma dessas pequenas conveniências, comuns por aqui, e ter surtado ignorantemente só por achar que o sorridente homem aparentando muita felicidade e que vestia jaleco era balconista e não atendente de balcão (que é diferente, não é?). Virei novamente para explicar meu engano quando vi por todos os lados várias prateleiras tomadas por medicamentos – Ali era sim, sem dúvida ou Lexotan, uma FARMÁCIA! Depois de minha rápida, mas intensa, crise de risos, ele riu também e perguntou por que tanto espanto. Recuperei o fôlego e ingeri o bom senso que guardei por anos, dado a mim por minha avó, e disse que nunca em meus (...) anos de vida, conhecedora que sou de quase todo o Brasil, vi uma drogaria que vendesse cerveja!
Mais simpático e sorridente ainda, apontou para o fundo da loja e me indicou que fosse até lá ver. Inacreditável! Na prateleira de Doril e Dipirona, havia também garrafas de vodca, whisk, vinhos e várias bebidas destiladas. Corri para ele e perguntei a respeito, sem abrir a boca, mas com cara de quem deixou de ser Vírgula e virou interrogação. Pois não é que ele, com cara exclamativa e de pau, disse que muita gente sofre de dor de cotovelo, coração partido e etc., e que a farmácia dele era a mais completa, tendo remédio pra tudo, até pra dor de dente! Eu ri, gostei daquele senhor e fui embora imaginando a moça com os olhos esbugalhados de tanto chorar, chegando ao balcão e mostrando-lhe uma carta do noivo que terminara tudo por causa de outra mulher, e ele então aviando uma taça de bourbon a cada dez minutos, por uma noite e um dia. E aí um professor vai lá, mostra o contracheque e ele indica uma dose de pinga a cada meia hora. A filha dele (inventei, talvez ele tenha uma) chega com o jornal para mostrar que passou no vestibular e ele vai acalmar a si com doses de whisk e, para ela, água, muita aguardente com limão e mel.
Olivença é muito fraca mesmo! Não conseguiu ser original nem mesmo no Barmárcia, que tem um dono que tentou ser criativo.



















